sábado, 6 de junho de 2026

Televisão





"A televisão me deixou burro", diziam os Titãs em 1985.

Não, eles não estavam questionando a importância da caixinha mágica que mudou a nossa percepção de mundo. A crítica estava na maneira como nos deixamos influenciar por tudo o que vemos e ouvimos.

Algo similar poderia ser dito a respeito das redes sociais, dos streamings de música e coisas assim.

Por exemplo, ter fama equivale a ser talentoso?

Assim como acontece em vários lugares, a fama e o sucesso nem sempre estão relacionados ao talento. 

Em municípios pequenos, amigos de políticos são convidados para os melhores cargos, pelo simples fato de serem "amigos ou parentes de políticos". Na televisão, nos meios de comunicação, algo similar acontece, aqueles que deveriam se destacar no mundo da música ou da arte são escolhidos a dedo, alguns por critérios bem duvidosos.

Vários artistas comentam que, no passado, para conseguirem papéis importantes, tiveram de fazer o chamado "teste do sofá" — prática que muitas vezes envolvia prestar favores, muitas vezes sexuais, a diretores ou chefes.

No mundo da música, aparecer em um determinado programa de TV era o suficiente para que "artistas" fossem considerados famosos e tivessem aumentos significativos em seus cachês.


Mas o que isso tem a ver com o "me deixou burro"?


Tempos atrás, muitas estações de rádio cobravam o chamado "jabá" para que os cantores tivessem suas canções apresentadas e elogiadas durante a programação.

A alta frequência e a repetição moldavam o gosto dos ouvintes. A voz atraente do locutor, a repetição contínua — tudo trabalhando para que aquele artista fosse aceito.

Uma vez alcançado o objetivo, empresários passavam a trabalhar num segundo campo: contratos com prefeituras e muita propaganda.

Por exemplo, no período das festas juninas, algumas prefeituras fazem contratos caríssimos com cantores ou duplas medíocres para satisfazer o desejo de uma população que não está lá para fazer parte da festa — que está lá apenas para ver o "famoso" que apareceu num programa de rádio ou televisão.

Quando algum administrador responsável prioriza artistas da terra ou artistas tradicionais, são severamente criticados — pois, na cidade vizinha, o prefeito contratou "o artista famoso".


A tolice de se comparar a outras cidades acabou com a festa. Temos shows...


As tradições são assassinadas por aqueles que criticam o fim das próprias tradições.

Algumas prefeituras brasileiras foram condenadas por desvios em grandes eventos.

        A passividade que existia em frente às telas se replica nos streamings.

Recentemente, no Brasil, um cantor se tornou famoso pela canção "Caneta Azul".

Uma canção simples, um cantor desajeitado, desafinado... e os risos da plateia.

A fama chegou trazendo muitos shows e dinheiro.

Uma pergunta me aflige: o que esperavam as pessoas que iam àqueles shows?

As pessoas são moldadas a acreditar no sucesso de artistas com base nas tendências do Spotify e de outras plataformas de música e já não conseguem mais entender o que gostam — ou por que gostam...

Ainda há tempo de pensar...

O problema não está apenas no que nos oferecem —
mas no que aceitamos sem questionar.


                                     Clique aqui para ouvir Titãs:  Televisão

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