Quem escolhe o que você admira?
English version below Quem escolhe o que você admira? Há uma pergunta que me acompanha há alguns dias. Por que, em tantas cidades pequenas, aquilo que nasce ao nosso lado parece valer menos do que aquilo que vem de longe? Não me refiro apenas à música, aos livros ou às artes. Refiro-me ao modo como aprendemos a olhar para o mundo. É curioso. Um restaurante funciona durante anos. Um músico se apresenta há décadas. Um artesão dedica a vida inteira ao seu trabalho. Um professor transforma gerações. Mas basta que alguém de fora descubra qualquer um deles para que, de repente, todos passem a enxergar um valor que sempre esteve ali. O que mudou? A resposta mais fácil seria dizer que o reconhecimento externo trouxe credibilidade. Mas será que essa é toda a explicação? Talvez não. Talvez exista uma questão mais profunda. Talvez, sem percebermos, ainda carreguemos uma antiga necessidade de autorização para admirar. Durante muito tempo aprendemos que os grandes centros produziam cultura, en...